CARTA PARA ASSOCIADOS APESC

Caros associados da Apesc,

 

O mês de junho marca o final de mais um ciclo de dois anos. Nele se finda o segundo mandato no qual estou à frente da diretoria da Apesc. Confesso que, ao examinar os dois primeiros anos, tenho a convicção de eles terem sido mais efetivos em termos de resultados para o nosso setor do que os dois últimos. Isto se deve às dificuldades encontradas recentemente, aos obstáculos que decorreram da complicada interlocução com as autoridades estaduais.

Quem deveria estar na liderança do processo de desenvolvimento no Estado abdicou deste papel. Isso prejudicou o andamento dos processos de licenciamento, de outorga de recursos hídricos e, até mesmo, das conexões às redes das distribuidoras de energia. A paralisação do Programa SC+Energia foi a maior evidência da falta de política para o setor de energia, assim como a edição da lei que autorizou a adesão de Santa Catarina ao Convênio Confaz 016/2015, aquele que concede o benefício da isenção do ICMS para a geração distribuída. Santa Catarina foi o último no país a aderir ao Convênio e o fez por um prazo restrito de apenas 48 meses.

As requisições formais da APESC, quase como regra, ficaram sem respostas. A agenda das autoridades raramente foi aberta para nos atender e quando houve um acatamento de pedido de reunião isso se deu por pressão de parlamentares que nos apoiam e que constituíram a Frente Parlamentar de Apoio às PCHs e CGHs, notadamente o seu presidente, dep. Mauro de Nadal.

O pior de tudo, no entanto, foi ver o total desmantelamento das estruturas com a substituição dos agentes públicos em cargos de direção e gerência. Foram substituídas pessoas com experiência e know how técnico que vinham desempenhando o papel com zelo e presteza, atendendo o empreendedor com respeito e profissionalismo. Essa substituição rasa até o momento não foi compreendida, até porque não foi explicada.

Sem fazer ilações precipitadas, a falta de experiência e de conhecimento técnico tem o seu preço, bem como o desvelo e a inaptidão política. Aliás, política é uma construção que se faz baseada no diálogo e no respeito. Não existe velha nem nova política, sempre houve e haverá a política. Quem a exerce é que a faz ser boa ou ser má. Ela é necessária, desde aquela exercida nas corporações, associações e entidades privadas, como aquela conectada aos partidos políticos e eleições.

O momento nacional requer maturidade e comedimento. É visível a radicalização de opiniões e de posições antagônicas nas mídias sociais. Torna-se imperativo, para sair dessa crise de proporções ainda inimagináveis, haver um pacto de entendimento em prol do desenvolvimento do Brasil no pós Covid-19. Somos um setor pujante, empreendedor por excelência e que assume altos riscos para retornos incertos ao iniciar um projeto. Empregamos, movimentamos muitas indústrias, geramos trabalho aos engenheiros e aos escritórios de gestão ambiental, temos tudo em casa na nossa bela Santa Catarina. É incompreensível que homens públicos que ocupam posições no Poder Executivo não nos percebam na razão na importância que temos. Na verdade, é inaceitável.

Em que pese os percalços no caminho, a nossa luta prosseguirá em determinação e importância. Éramos cerca de 70 associados em 2016, hoje chegamos próximos da casa dos 100. Éramos pequenos e médios geradores, hoje, em nossas fileiras, juntaram-se empresas multinacionais, geradoras de destaque nacional e mundial, enfim, produtores de energia em Santa Catarina. Agregamos o gás natural na nossa matriz de fontes, que possui também representantes de eólica, solar, biomassa e, especialmente, da fonte hídrica.

Nossa importância política depende da nossa capacidade de agir enquanto associação organizada e coesa. Por isso, ao agradecer a forma honrosa com a qual fui distinguido ao ser eleito presidente por dois biênios, venho reiterar o meu compromisso e o desta diretoria com a APESC - Associação dos Produtores de Energia do Estado de Santa Catarina. Foi um trabalho feito com carinho, apreço e dedicação, ferramentas necessárias para o sucesso de qualquer organização. Os tempos serão mais ou menos duros de acordo com a capacidade que tivermos em demonstrar resiliência e união para marcar o nosso espaço político econômico e social, ressaltando que a geração sustentável de energia se dá com respeito ao meio ambiente. Ganham os empreendedores que se arriscam em desenvolver os projetos e, principalmente, ganha toda a sociedade catarinense.

 

Obrigado a todos

 

Gerson Pedro Berti

Diretoria da Apesc 2018-2020

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