Cenários de preços para o segundo semestre de 2020

Desde o início da pandemia causada pelo covid-19, temos testemunhado um cenário de grande incerteza no setor elétrico brasileiro, resultando numa redução da curva média de preços de curto e longo prazo. Para contextualizar, primeiro precisamos analisar as variáveis de oferta e demanda de energia no Brasil desde o início do ano.

No ponto de vista da oferta, após um período úmido generoso na região sudeste/centro-oeste, o qual representa 70% da Energia Armazenada (EARM) máxima do Sistema Interligado Nacional (SIN), iniciamos o ano com 28% (80,90 GW-médios) e terminamos junho com 59,90% (173,39 GW-médios) de EARM do SIN. Em contra partida, as afluências na região Sul atingiram o seu pior nível no histórico de 90 anos de medição, chegando no final de abril a 14,95% de EARM, pior nível registrado nos últimos 20 anos.


Extraordinariamente a demanda por energia, após o início da pandemia e a quarentena restritiva em maior parte do país, sofreu uma queda acentuada em todas as regiões do Brasil, com uma redução na ordem de 12% e 10% em abril e maio, respectivamente, comparado ao mesmo período do ano anterior. Semanalmente também, a Ludfor tem acompanhado o consumo diário no país e é possível verificar que o consumo permanece com uma redução de aproximadamente 11 a 15 GW-abaixo, em relação à semana anterior a pandemia.

Sendo assim, estamos vivendo um cenário onde há uma sobre oferta de energia no sistema e uma fraca demanda por este insumo, com isso os preços de energia incentivada com 50% de desconto na TUSD/TUST no submercado Sul atingiram uma média de 130 R$/MWh e 185 R$/MWh para o restante de 2020 e o ano de 2021, tais patamares de preços não eram vistos no mercado desde meados de 2016, quando país passava por um período de forte recessão econômica e reservatórios em níveis similares aos atuais.

O setor middle office da Ludfor Energia realizou, através dos modelos de otimização do ONS (NEWAVE e DECOMP) rodadas de preços futuros para o período de julho a dezembro de 2020 e projetou um pico de PLD de aproximadamente 143 R$/MWh em dezembro no submercado SE/CO, simulando um cenário de La Niña forte, onde atrasaria o período úmido no SE/CO. Ou seja, basicamente enquanto estivermos nesse horizonte econômico nebuloso é bastante provável que o PLD para o segundo semestre permaneça em patamares inferiores aos vistos nos últimos 3 anos.

Quanto aos preços de longo prazo, a partir de 2023, sofreram pouca oscilação com este desequilíbrio entre oferta e demanda, uma vez que a partir de 2 anos o preço tende a convergir para o Custo Marginal de Expansão (CME), assim é de comum senso falar que o preço de longo prazo é influenciado por questões estruturais, enquanto o preço de curto e médio prazo, o ano vigente e o ano seguinte, são influenciados por questões conjunturais, como afluências, projeção de PIB, consumo etc.

Assim o Ambiente de Contratação Livre (ACL) continua sendo seguro àqueles empreendedores que estão buscando contratos de longo prazo, com o objetivo de utilizar como garantia em financiamento com bancos ou como estratégia para trazer mais previsibilidade de faturamento para a usina, garantindo uma taxa mínima de retorno.

Na data de 13/07/2020 a energia incentivada com 50% de desconto na TUSD/TUST no submercado sul para o ano de 2021 está sendo negociada numa média de preços de 185,00 R$/MWh no ACL, podendo variar conforme a análise de crédito das contrapartes, ainda, para as usinas que já estão em operação, é possível se cadastrar no Leilão de Energia Existente A-1 que está previsto para o dia 4 de dezembro de 2020, tendo suprimento para 2 anos, iniciando em 1º de janeiro de 2021.

Por fim, mais do que nunca é de suma importância fazer a análise de crédito das contrapartes, buscando sempre mitigar ao máximo os riscos de inadimplência, garantindo o cumprimento do contrato. Ressalto ainda, que este artigo em nenhum momento pode ser interpretado como uma recomendação de compra e/ou venda, sendo necessário cada gerador avaliar individualmente sua aversão ao risco e seu portfólio energético.

 

Matheus Nunes Ribeiro – Ludfor Energia

                                                                              Coordenador da Área de Gestão de Geradores

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