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Renegociação de contas de energia beneficiou mais de 700 indústrias em SC

Empresas distribuidoras do Estado criaram programas de parcelamento das faturas durante a pandemia

Em Santa Catarina, pelo menos 700 indústrias foram beneficiadas com a repactuação de convênios e contratos de consumo de energia em meio à pandemia de Covid-19. A renegociação faz parte de programas de facilitação criados por companhias de distribuição de insumos essenciais às empresas. 

Na energia elétrica, por exemplo, mais de 600 indústrias tiveram as contas parceladas em acordo com a Celesc. Ao todo, o impacto financeiro dos novos prazos aplicados às faturas ultrapassa R$ 68 milhões.

"Nós criamos uma resolução dedicada ao parcelamento à indústria. A gente mobilizou uma equipe, construímos um comitê, flexibilizamos o pagamento em até seis parcelas de até três faturas desde que não houvesse outra inadimplente", disse o presidente da Celesc, Cleicio Poleto Martins, em reunião da Câmara de Energia da Federação das Indústrias de SC (Fiesc), nesta quarta-feira (22).

Por outro lado, a empresa foi beneficiada por uma adiantamento de valores relativos a encargos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), em uma ação emergencial para garantir caixa às distribuidoras.

O impacto no setor elétrico foi grande. Com redução de consumo de 20% em abril e de 11% em maio, e problemas operacionais devido à pandemiae ao ciclone-bomba, a Celesc deve reduzir o investimento previsto para o ano em 20%. Em vez dos R$ 520,7 milhões anunciados, a previsão é de aplicação de pouco mais de R$ 400 milhões.

 

 

 

Gás

No setor de gás natural, também houve auxílio às empresas. Segundo a Companhia de Gás de Santa Catarina (SCGÁS), o plano de renegociação de faturas beneficiou pelo menos 170 indústrias e 100 unidades comerciais.

O presidente da Companhia, Willian Anderson Lehmkuhl, afirmou durante a reunião que a SCGÁS foi a primeira distribuidora do país a renegociar custos com a Petrobras.

"A Petrobras parcelou num primeiro momento a molécula. A gente assumiu o risco do transporte, que aquela altura não estava negociado ainda, assumimos também a margem de distribuição e os impostos", acrescentou.

Após queda de 46% no consumo de gás natural no Estado, os níveis estão voltando ao patamar pré-pandemia. Em abril, o consumo médio diário caiu para cerca de 1,1 milhão de m³/dia. Em junho, o valor pulou para próximo de 1,6 milhão de m³/dia e, em julho, já se aproxima de 2 milhões de m³/dia, o volume diário registrado antes da quarentena.

Lehmkuhl falou ainda do reajuste tarifário anunciado em junho. "Santa Catarina tinha o gás mais barato do Brasil, continua tendo e com uma diferença maior", afirmou. A redução tem base na queda do preço do petróleo. Como há tendência de alta do produto no segundo semestre, é provável que haja elevação na próxima alteração tarifária.

 

 

O presidente da Câmara de Energia, Otmar Muller, parabenizou a atuação da Companhia para mitigar os efeitos da crise aos consumidores. "A agilidade, proatividade e rapidez com que a SCGÁS se portou no início da crise são objeto de elogio de nossa parte, garantindo medidas para mitigação de situações financeiras de imediato", reconheceu.

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