Engie deve vender última termelétrica a carvão até junho - APESC | Associação dos Produtores de Energia de Santa Catarina
slideslide

Engie deve vender última termelétrica a carvão até junho

Com meta de eliminar o carvão de suas operações de geração de energia no mundo ainda nesta década, a Engie Brasil Energia concentra esforços na venda da sua última termelétrica que utiliza essa fonte, a Usina Termelétrica Pampa Sul, e prevê concretizar a operação até junho de 2022.

Com 345 megawatts (MW), a térmica fica em Candiota (RS) e pode gerar energia suficiente para atender cerca de 1,3 milhão de pessoas. No entanto, o carvão é página virada para a Engie. Com 69 usinas e capacidade instalada de 10 GW, Pampa Sul representa apenas 3% da operação da geradora. Em 2022, a empresa entrou novamente para a lista das 100 empresas mais sustentáveis do mundo na 23ª posição, segundo a consultoria canadense Corporate Knights. Isso sem terminar o processo de descarbonização.

O diretor presidente e de Relações com Investidores da companhia, Eduardo Sattamini, acredita que a companhia tem o potencial de estar entre as dez mais sustentáveis do planeta, mas para isso o portfólio todo precisa contemplar critérios de descarbonização.

Em agosto de 2021, a empresa vendeu o Complexo Termelétrico Jorge Lacerda, com 857 MW, para a Fram Capital. A Engie passou quase quatro anos para que a venda fosse concluída e chegou a cogitar fechar a térmica. Contudo, essa condição não se aplica à Pampa Sul. Além da discussão sobre o papel social e econômico da usina na região, Sattamini lembra que a térmica tem contratos longos e custos baixos.

“Não vejo a possibilidade de encerrar as operações de Pampa Sul. Ela tem a energia vendida no mercado regulado até 2044 e como tem um contrato muito longo e uma energia com o custo variável baixo, torno de R$ 60 por MWh, é uma usina que agrega muito para o sistema”, avalia.
A empresa está comprometida a alcançar a neutralidade em carbono até 2045. Com o carvão, o grupo tem como objetivo abandonar totalmente a fonte em 2027. No Brasil, a meta é mais ambiciosa e prevê desinvestimentos na geração termelétrica até 2025. Isso pode acontecer bem antes do prazo, caso as condições ideais se desenhem.

A Engie mira na diversificação de fontes renováveis e no crescimento em transmissão, já que ela tem projetos no Nordeste que não saem do papel por falta de conexão e capacidade de transmissão para os centros consumidores. Para 2022, dois empreendimentos, Gralha Azul, no Paraná, e Projeto Novo Estado, no Pará, devem somar 2800 quilômetros de linha para escoar a produção.

Sattamini acrescenta a inflação das commodities, alta do dólar, encarecimento do dinheiro, risco político no Brasil e as taxas de juros subindo como elementos que podem afetar os custos dos novos projetos da geradora. “Nosso crescimento tem sido todo feito com base em eólica, solar e linhas de transmissão que beneficiam o transporte de energias renováveis das áreas de produção para as áreas de consumo. Se não entregarmos valor ao nosso acionista, não vamos ser sustentáveis. Em pouco tempo, nossos acionistas e banqueiros vão deixar de confiar em nossa capacidade de geração de riqueza”, conclui.

Tecnologia do Google TradutorTradutor