Reset cognitivo no setor elétrico por Edwald Santana - APESC | Associação dos Produtores de Energia de Santa Catarina
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Reset cognitivo no setor elétrico por Edwald Santana

Pelos jornais portugueses, aprendi ontem que o orçamento de 2022, que eles chamam de Orçamento de Estado, foi reprovado (ou chumbado, como eles preferem), o que implica a dissolução do Parlamento, dada a gravidade do que aconteceu. Pois é! É assim que deveria se sentir o setor elétrico brasileiro. Com o PLD abaixo de R$ 170/MWh, ao mesmo tempo que são despachadas UTEs de mais R$ 1.500/MWh, explode o ESS por segurança energética.

 

Vejam que interessante. Se o PLD estivesse no teto e se o teto fosse real: (1) o custo com o ESS seria 1/4 do previsto para outubro e novembro; (2) como há sobrecontratação, iria para a modicidade tarifária o valor da receita entre 100 e 105% da carga, o que reduz o déficit da conta de bandeiras tarifárias (3) pela mesma razão, as distribuidoras teriam uma receita adicional para o valor que ultrapassasse de 105%; e (4) os consumidores teriam receita adicional com a liquidação da Energia de Reserva a um PLD bem maior, o que também aliviaria a conta das bandeiras tarifárias.

 

No entanto, em lugar de mudar imediatamente os cálculos do PLD, dado o absurdo dos seus resultados, pois todos perdem, a preferência, mais uma vez, consiste em azeitar um empréstimo com alongamento dos custos para os consumidores. Os bancos ganham. Muita crueldade! Com efeito, chumbado também ficou o orçamento do consumidor, que precisa suportar erros previsíveis, vez que diagnosticados há mais de 10 anos. Não há como decretar a dissolução da infraestrutura de governança do setor elétrico, mas será que não é possível “apenas” um reset cognitivo?

 

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